Mostrando postagens com marcador documentário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador documentário. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Os papéis dos Negros nas Telenovelas



A televisão brasileira criou o culto à telenovela, que, importada em sua estrutura básica do México, assimilou nestas terras a qualidade do folhetim e foi a sucessora da novela transmitida pelo rádio.

Neste documentário do cineasta Joel Zito Araújo, assistimos, através de imagens de arquivo e de depoimentos diversos, os tabus e preconceitos enfrentados pelos atores negros pelo seu reconhecimento na história das telenovelas.

Quase sempre relegados a papéis secundários, fortemente calcados nos esterótipos criados por uma cultura eurocêntrica, a telenovela, o produto de maior audiência no horário nobre da TV brasileira, acabou por influenciar, sobremaneira, os processos de identidade étnica dos afrodescendentes brasileiros.

Documentário essencial para refletirmos na importância da TV na formação de esterótipos, criação de identidades e veículo formador de ideologias, "A negação do Brasil" é um trabalho sério de pesquisa para qualquer um que se interesse pelas questões raciais.

Como diz a crítica e escritora Maria Santos de Jesus:

 "A proposta do documentário é trazer à discussão os papéis representados pelos afro-descendentes, quase sempre  subalternizados, inferiorizados em função da pouca visibilidade e quando muito, representando estereótipos de jagunços, feitores, delegados e empregados domésticos.
Baseado nas informações do documentário, o que se vê diariamente nas telenovelas é a hipervalorização da matriz euro-descendente, tida como modelo de beleza estética e superioridade intelectual, em detrimento das matrizes afro e índio-descendentes, já que “os grupos de maior prestígio têm hegemonia cultural e tudo que diverge de suas concepções é desqualificado". (Est. Culturais, 2008).
Em entrevista ao programa Salto (Rede Brasil), Joel Zito afirma que “as pessoas, inconscientemente partilham a visão de que o belo, o culto, o desejável, o ser moderno, o ser Primeiro Mundo, é ser branco”. Arraigado na cultura brasileira, esse estigma é extremamente negativo para que o negro atue em papéis positivos que contribuam para a auto-afirmação da sua imagem.
"
(Márcia Santos de Jesus em "A Negação do Brasil: O Negro na Telenovela Brasileira - Análise crítica do filme")


Ficha de Informações do Filme

Título: A NEGAÇÃO DO BRASIL
Duração: 91 min
Ano: 2000
Cidade: Rio de Janeiro, RJ  País: Brasil
Gênero: Documentário
Cor: Colorido/PB

Ficha Técnica

Direção: Joel Zito Araújo
Roteiro: Joel Zito Araújo
Empresa(s) Co-produtora(s): Casa de Criação
Produção Executiva: Joel Zito Araújo
Direção de Produção: Joel Zito Araújo
Direção Fotografia: Adrian Cooper e Cleumo Segond
Fotografia de Cena: Não
Montagem/Edição: Joel Zito Araújo e Adrian Cooper
Técnico de Som Direto: Toninho Murici
Edição Som: Equipe Estúdios Mega
Mixagem: Equipe Estúdios Mega
Classificação Indicativa: 12 anos

Currículo do filme

Prêmios: Roteiro premiado pelo Concurso Nacional de Projetos de Documentários do Ministério da Cultura - 1999.
Prêmios de Melhor Documentário, Melhor Pesquisa e Premio Quanta da Competição Brasileira do É TUDO VERDADE - 6º Festival Internacional de Documentários - 2001. SP-RJ;
Troféu especial "Gilberto Freire de Cinema" e Troféu de "Melhor Roteiro de Documentário" do 5º Festival de Cinema do Recife - 2001.


(Informações obtidas no site da Programadora Brasil)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Projeto

 

     Junho começando e a Coordenação da Casa de Leitura Lya Botelho, de Leopoldina-MG, iniciando um novo Projeto, desenhado para que possa incentivar nos alunos do Ensino Médio das escolas da rede pública e particular do Município de Leopoldina-MG, a pesquisa, coleta de dados, organização e elaboração de conteúdos para a construção de um "Memorial Leopoldina", onde se preserve a história do nosso povo, da nossa gente.

     Enquanto Projeto, visa atender  alguns requisitos:
  1. incentivar aos alunos das escolas públicas e particulares de Leopoldina, e seus distritos, à pesquisa, ao conhecimento e valorização do seu Patrimônio Histórico, tanto material quanto imaterial;
  2. formar um acervo de documentários, gravações, depoimentos, fotografia e documentos vários sobre a contribuição do negro à formação e à cultura leopoldinense;
  3. proporcionar aos alunos do Ensino Médio das escolas públicas e particulares de Leopoldina, o conhecimento da teoria e prática da filmagem/gravação documental; proporcionar condições para que esses alunos tenham estejam munidos de informações e material necessário para realizarem suas pesquisas, fazerem as entrevistas e produzirem seus documentários;
  4. incentivar a leituram disponibilizando uma biblioteca, para leitores entre 7 e 16 anos, de títulos voltados à questão da identidade racial;
  5. oficinas de artes, artesanato, culinária para os alunos da rede de ensino, pública e particular, de Leopoldina-MG;
  6. estimular a ampliação desse debate através de palestras e mesas de debate com antropólogos, sociólogos, historiadores, lideres ativistas locais e a comunidade em geral;
  7. proporcionar uma ampla discussão sobre o papel do negro dentro da sociedade através de uma seleção de filmes de ficção e documentários, a serem exibidos os alunos das escolas públicas e priovadas do município, grupos e associações, e demais membros da sociedade;
  8. promover o resgate e a divulgação da cultura dos afrodescendentes através de espetáculos de dança, saraus literários, de apresentações de grupos folclóricos, de grupos musicais, do conhecimento da reliosidade afro-brasileira, da exposição do artesanato e das demonstrações de capoeiristas;
  9. abrir espaço para a discussão da aplicação da Lei nº 10.639, aprovada em 2003 pelo Congresso Nacional, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, tornando obrigatório o ensino de história e cultura da África e das populações negras brasileiras nas escolas de ensino fundamental e médio de todo o país; 
  10. e, finalmente, através dessas e outras ações paralelas, proporcionar, aos afrodescendentes e à populção local, o reconhecimento do valor e importância da contribuição negra para o município, região, estado e país, como um Patrimônio a ser preservado e constantemente acrescido e lembrado.
      Trabalhando diretamente com a Coordenadoria da Casa de Leitura Lya Botelho, na realização de Oficinas para a criação dos vídeos documentais, está a Profª Natania Aparecida da Silva Nogueira, pesquisadora, autora e professora de História, e Lucas Mendonça, graduado em Cinema pela PUC-RIO.

     Esse Projeto de Resgate da Memória de Leopoldina-MG surge da identificação de ainda existirem grandes áreas  passíveis de  aprofundamento do conhecimento, quando se trata da memória individual e coletiva, bem como da história, do Município de Leopoldina. Acreditamos que esse trabalho de pesquisa, catalogação, arquivamento, exposição e divulgação do Patrimônio Cultural, material e imaterial da cidade, poderia receber a valiosa e ativa colaboração dos seus próprios habitantes, neste caso, dos estudantes do Ensino Médio das escolas locais. Através de Oficinas de Documentário e de Redação, Palestras sobre temas específicos, Mostras temáticas de filmes, criação de dispositivos de Divulgação (site, blog, transmissão de vídeo on-line, programas radiofônicos, etc) e demais Ações Paralelas (shows musicais, lançamentos de livros, visitas monitoradas, etc), esses jovens cidadãos pudessem sentir-se motivados a resgatar a própria história através de um maior conhecimento, advindo da discussão das suas próprias raízes.


     Todo cidadão da nossa comunidade está, desde já, convidado a participar e trazer sua colaboração para este Módulo 1, do Projeto (que é constituído de outros módulos ou etapas a serem realizadas no futuro), e que se encerrará com uma grande mostra a acontecer entre os dias 20 e 25 de novembro, na Casa de Leitura Lya Botelho.