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segunda-feira, 9 de julho de 2012

DRUM: um libelo em favor das causas humanitárias


     A Casa de Leitura Lya Botelho, dando continuidade à Mostra de Cinema Africano "ÁFRICA: UM OUTRO OLHAR", exibe na noite deste dia 9 de julho, segunda-feira, às 19:30h, a biografia filmada do jornalista sul-africano Henry Nxumalo realizada em 2004  pelo diretor Zola Maseko

     "DRUM" é um filme sobre a vida de Henry Nxumalo, jornalista investigativo famoso nos anos 50 em Sophiatown, bairro símbolo da resistência cutltural em Joanesburgo. Ele trabalhava em uma revista negra considerada intelectual ou "cult", "DRUM", verdadeira arma de mídia na época.

Capas de algumas das edições da revista sul-africana DRUM.

     Durante esta época, toda uma geração de autores, críticos, músicos e jornalistas exigentes sul-africanos surgiu e se expressou nessa resistência. Henry Nxumalo arriscou a vida denunciando as condições de tratamento dos negros que viveram e trabalharam durante os anos de segregação, apesar do assédio constante por parte das autoridades.



     Henry Nxumalo nasceu em 1917 em Margate, Natal, África do Sul e frequentou a Mission Fascadale School. Mostrando talento precoce como escritor, ele apresentou várias amostras de seu trabalho para publicações e como resultado lhe foi oferecido um emprego pelo jornal Post em Johanesburgo, que havia publicado algumas de suas contribuições anteriores.

      Alistou-se no Exército Sul-Africano, quando a Segunda Guerra Mundial estourou e foi enviado ao Egito, onde as forças Sul-Africanas estavam combatendo no Deserto Ocidental.

      Houve frustração em seu retorno à África do Sul, pois existiam poucas oportunidades para jornalistas negros, devido às restrições do apartheid. A maioria das publicações voltadas ao público negro eram controladas por interesses comerciais brancos e nenhuma delas ofereceu espaço para o tipo de investigação jornalística que Nxumalo tinha em mente realizar.

      Em 1951, o editor Jim Bailey criou a lendária revista DRUM, com Anthony Sampson como editor, e convidou Henry Nxumalo para o cargo de editor-assistente.


Henry Nxumalo e o seu obitúário, publicado em revista sul-africana

      Porém, a especialidade de Henry era o jornalismo investigativo. Empregando-se nas fazendas de batata, expôs as condições precárias (quase escravidão) vividas pelos trabalhadores negros. Preocupado com a falta de lei em Joanesburgo, ele iniciou um processo de agitação popular para combater esses erros e desvios e apelou ao apoio da polícia. Ele acabou sendo preso e foi enviado para a prisão central emJoanesburgo. O artigo resultante descrevendo as condições da ala onde os prisioneiros ficavam e as degradantes condições das revistas em prisioneiros nus foram notícia internacional Ele, novamente, conseguiu trabalho em uma fazenda onde um trabalhador Africano foi espancado até a morte com um pedaço de cano. Sua investigação sobre o possível apoio da  Igreja ao regime do apartheid mostrou a diferença entre o preconceito e o evangelho do amor fraterno.

      Em 1957, Henry estava investigando uma rede de clínicas de aborto quando ele foi assassinado por assaltantes desconhecidos.

      Em 2004, o nome da Rua Goch em Newtown, no centro cultural de Joanesburgo, foi alterado para Rua Henry Nxumalo Street.

Zola Maseko, diretor de "DRUM".



      "DRUM" foi o primeiro longa metragem do diretor Zola Maseko. Originalmente, foi concebido para ser uma série de 6 episódios chamada "Sophiatown Short Stories", mas por falta de orçamento, foi convertido em um filme. Com exceção dos dois protagonistas, interpretados pelos atores norte-americanos Taye Diggs e Gabriel Mann, a maior parte do elenco é formada por atores sul-africanos. O ator Lindane Nkosi faz o papel de Nelson Mandela.

     Zola Maseko nasceu em 1967 no exílio, mas nos finais dos anos 1980 junta-se à facção armada do ANC na luta contra o regime sul-africano do apartheid. Depois de estudar cinema e televisão no Reino Unido regressa à Africa do Sul, onde realiza “The Foreigner” (1994), o seu primeiro curta-metragem de ficção que aborda a xenofobia no seu próprio país. Seguem-se dois documentários sobre Sarah Baartman, a mulher que ficou conhecida como a Vénus Hotentote, uma história cruel do século XIX sobre racismo e exploração. “A Drink in the Passage” (2002) assinala a consagração de Maseko no FESPACO, onde recebe o prémio especial do júri, mas é com “DRUM” (2004) que recebe o seu prémio máximo, o "Corcel de Ouro", em Yennenga.

SERVIÇO:
Filme: "DRUM", do diretor Zola Maseko
Quando: dia 9 de julho, segunda-feira
Horário: 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 16 anos

Apoio Cultural:

 Apoio, Realização e Patrocínio:



sábado, 23 de junho de 2012

Faça a coisa certa: confrontos e ajustes na tela do cinema


"FAÇA A COISA CERTA" (Do the right thing), do diretor negro norte-americano Spike Lee encerra, neste sábado, dia 23 de junho, a Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano", da Casa De Leitura Lya Botelho de leopoldina-MG.

A Mostra, que exibiu 6 filmes considerados "clássicos" por sociólogos e crítica especializada, dentro da abordagem que o cinema proporcionou com a questão racial, deixa um saldo positivo, tanto em termos de audiência, como na qualidade das discussões posteriores às exibições.

"FAÇA A COISA CERTA", cuja história tem como cenário o Harlem, bairro novaiorquino onde a maioria da população é predominantemente negra, Buggin' Out, um ativista, exige que Sal, um dono de uma pizzaria, troque as fotos de seus ídolos brancos do local por fotos de ídolos negros. Quando tem seu pedido negado, o ativista passa a organizar um boicote contra a pizzaria de Sal.

SERVIÇO:
Filme: "Faça a coisa certa", com Spike Lee e Danny Ayello
Quando: sábado, dia 23 de junho de 2012
Horário: às 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 16 anos

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Quando o discurso "politicamente correto" conflita com os próprios interesses: "Adivinhe quem vem para o jantar"


"ADIVINHE QUEM VEM PARA O JANTAR" (Guess who's coming to dinner) é um filme de 1967 que é um macro sobre as questões de miscigenação racial no casamento.

Joanna (Katherine Houghton), a bela filha de um editor liberal, Matthew Drayton (Spencer Tracy) , e sua esposa aristocrata (Katherine Hepburn), retorna para casa com seu novo namorado Joh Prentice (Sidney Poitier), um ilustre médico negro. Cristina aceita a decisão da filha de se casar com John, mas seu pai está chocado com essa união inter-racial; bem como os pais do médico. Para acertar as coisas, ambas as famílias devem sentar-se frente a frente e examinar os seus níveis de intolerância.

Neste filme, o diretor Stanley Kramer criou um estudo magistral dos preconceitos sociais.

O filme, que será exibido hoje, dia 22 de junho às 19:30h na Casa De Leitura Lya Botelho, faz parte da Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano", do Módulo 1 (A participação do Negro no desenvolvimento sócio, político, econômico e cultural de Leopoldina) do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMONIO: LEOPOLDINA-MG,  que tem o apoio da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e o patrocínio da ENERGISA.

SERVIÇO:
Filme: "Adivinhe quem vem para o jantar", com Sidney Poitier, Katherine Hepburn
Quando: hoje, dia 22 de junho
Horário: 19:30h (pontualmente!)
Onde: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 14 anos

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A busca da verdade: "Mississipi em Chamas"


     Nesta quarta-feira, às 19:30h, estará sendo exibido, na Casa De Leitura Lya Botelho, o filme MISSISSIPI EM CHAMAS (Mississipi Burning) que conta a história (verídica) acontecida em 1964, no estado do Mississipi, um dos mais preconceituosos estados do sul dos Estados Unidos.

      Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willem Dafoe), dois agentes do FBI, investigam a morte de três militantes dos direitos civis em uma pequena cidade onde a segregação divide a população em brancos e negros e a violência contra os estes últimos é uma tônica constante. 


     Durante o Verão da Liberdade, em que estudantes universitários do norte dos Estados Unidos partiram para o sul segregacionista na missão de inscrever os negros para eleição, três jovens ativistas dos "Direitos Humanos" desaparecem misteriosamente. Dois agentes federais, um recém-formado, interpretado por Willem Defoe e outro veterano do sul, feito por Gene Hackman, são designados para desvendar o caso. No dia anterior à sua chegada, havia sido incendiada uma igreja onde os negros congregavam, e ao chegarem na cidade, durante a investigação, puderam perceber o racismo que exalava dos brancos e subjugava à força os negros. Estava infiltrado na Polícia local, na igreja, em todos os lares.

      Este filme faz parte da Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano", que acontece nesta semana na Casa de Leitura Lya Botelho, dentro do Módulo 1 ("A Contribuição do Negro na vida sócio, política, econômica e cultural de Leopoldina") do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPODINA-MG.

SERVIÇO:
Filme: "Mississipi em Chamas", com Gene Hackman e William Dafoe
Quando, hoje, dia 20 de junho, quarta-feira
Horário: 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG
Entrada Grátis:
CENSURA: 16 ANOS ( A Coordenadoria da Casa de Leitura Lya Botelho se reserva o direito de solicitar documento de identidade original para a comprovação de idade)

terça-feira, 19 de junho de 2012

"Histórias Cruzadas, na programação da Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano"


     Dentro da programação cinematográfica do Módulo 1 ("A participação do Negro na construção sócio, política, econômica e cultural de Leopoldina-MG) do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG que a Casa De Leitura Lya Botelho vem desenvolvendo, apresentaremos, na noite desta terça-feira, 19 de junho, às 19:30h, o filme "HISTÓRIAS CRUZADAS" (The Help), que estreou nas telas brasileiras em fevereiro deste ano.

     Baseado em um dos livros mais badalados há anos e fenômeno n°1 em vendas de todos os tempos do New York Times, "Histórias Cruzadas", filme estrelado por Emma Stone ("A mentira") como Skeeter, com a indicada ao Oscar, Viola Davis como Aibileen e Octavia Spencer como Minny, mostra três diferentes mulheres extraordinárias no Mississipi durante os anos 60 que constroem uma improvável amizade devido a um projeto literário secreto que abala as regras da sociedade, colocando-as em perigo.

     De sua improvável aliança surge uma incrível irmandade, criando em todas elas a coragem para transcender os limites que as definem e a conscientização de que às vezes esses limites existem para serem ultrapassados, mesmo que isso signifique fazer com que todas as pessoas da cidade encarem os novos tempos.

     Intensa, cheia de pungência, humor e esperança, "HISTÓRIAS CRUZADAS" é uma história eterna e universal sobre a capacidade de criar mudanças.


SERVIÇO:
Filme: "Histórias Cruzadas" (The help), com Viola Davis
Quando, hoje, terça-feira, 19 de junho
Horário: 19:30h (senhas serão distribuidas a partir das 19:00h)
Onde: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada Gratuita
Censura: 14 anos

Começa a Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano"

    
 
     Começou ontem, dia 18 de junho, a Mostra "O NEGRO NO CINEMA NORTE-AMERICANO", parte integrante do Módulo 1 ("A participação do Negro no desenvolvimento sócio, político, econômico e cultural de Leopoldina-MG") do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG que a Casa de leitura Lya Botelho, com o apoio da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e patrocínio da ENERGISA, está iniciando.

     Esse Projeto, planejado para ser realizado em 5 semestres, abordará diversos aspectos e focos de interesse da formação da cidade de Leopoldina-MG. 

     O Módulo 1 (1º Semestre) foca na presença do Negro como elemento constituinte da nossa cultura e história. Sua inegável colaboração para o progresso da cidade e da região será registrada, e temas e sub-temas, pelos alunos dos cursos de Nível Médio da rede escolar do município. Enquanto esse rico acervo é coletado, todos os alunos das escolas públicas e particulares de Leopoldina e seus distritos estarão participando de grupos de leitura, de oficinas e demais atividades sempre ligadas ao estudo, resgate e valorização da cultura negra.

     Numa demonstração de interesse e de como é importante a participação da sociedade em projetos que abordem a sua história, estiveram lotando a sala de exibições da Casa de Leitura Lya Botelho, na noite de ontem, os alunos do Curso Técnico em Comércio, da Rede DOCTUM/ Tec de Cursos Profissionalizantes. Liderados pelo professor da disciplina de Ética e Responsabilidade Social, Túlio Augusto Bastos, levaram para um posterior debate, as questões mais marcantes desse excelente filme norte-americano: a ética, o preconceito, a intolerância, o medo, a dificuldade em aceitar as diferenças, o repúdio social.

     É exatamente com esse intuito, o de estabelecer condições para um debate sobre as questões que permeiam as relações humanas, que a Casa de Leitura Lya Botelho procura viabilizar o acesso à informação, às novas e possivelmente diferentes maneiras de analizar-se situações, à desconstrução de ideologias e conceitos pré-concebidos, utilizando-se, para tanto, do recurso do cinema.
 
     "O SOL É PARA TODOS" (To kill a Mokingbird) baseado num famosos bestseller, narra a luta travada por um advogado de uma pequena e pacata cidade do Sul dos Estados Unidos, que recebe a tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de ter estuprado jovem branca. Ainda que todas as provas e evidências inocentem o acusado, Atticus, o advogado tem que enfrentar todo o preconceito de uma sociedade injusta, hipócrita, cruel e imoral.

Baseado num romance de Harper Lee, "O SOL É PARA TODOS" é um excelente filme de tribunal. Realizado em 1962 pelo cineasta Robert Mulligan, o filme apresenta, sob a ótica de duas crianças, preceitos básicos como a ética e a dignidade.
 
A Mostra "O NEGRO NO CINEMA NORTE-AMERICANO" continua até sábado, dia 22 de junho, todas as noites às 19:30h, na sala de exibições da Casa de Leitura Lya Botelho.
 
Devido ao número limitado de lugares (25), a Coordenação da Casa de Leitura Lya Botelho estará distribuindo senhas para as sessões, 30 minutos antes do início das mesmas.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Os papéis dos Negros nas Telenovelas



A televisão brasileira criou o culto à telenovela, que, importada em sua estrutura básica do México, assimilou nestas terras a qualidade do folhetim e foi a sucessora da novela transmitida pelo rádio.

Neste documentário do cineasta Joel Zito Araújo, assistimos, através de imagens de arquivo e de depoimentos diversos, os tabus e preconceitos enfrentados pelos atores negros pelo seu reconhecimento na história das telenovelas.

Quase sempre relegados a papéis secundários, fortemente calcados nos esterótipos criados por uma cultura eurocêntrica, a telenovela, o produto de maior audiência no horário nobre da TV brasileira, acabou por influenciar, sobremaneira, os processos de identidade étnica dos afrodescendentes brasileiros.

Documentário essencial para refletirmos na importância da TV na formação de esterótipos, criação de identidades e veículo formador de ideologias, "A negação do Brasil" é um trabalho sério de pesquisa para qualquer um que se interesse pelas questões raciais.

Como diz a crítica e escritora Maria Santos de Jesus:

 "A proposta do documentário é trazer à discussão os papéis representados pelos afro-descendentes, quase sempre  subalternizados, inferiorizados em função da pouca visibilidade e quando muito, representando estereótipos de jagunços, feitores, delegados e empregados domésticos.
Baseado nas informações do documentário, o que se vê diariamente nas telenovelas é a hipervalorização da matriz euro-descendente, tida como modelo de beleza estética e superioridade intelectual, em detrimento das matrizes afro e índio-descendentes, já que “os grupos de maior prestígio têm hegemonia cultural e tudo que diverge de suas concepções é desqualificado". (Est. Culturais, 2008).
Em entrevista ao programa Salto (Rede Brasil), Joel Zito afirma que “as pessoas, inconscientemente partilham a visão de que o belo, o culto, o desejável, o ser moderno, o ser Primeiro Mundo, é ser branco”. Arraigado na cultura brasileira, esse estigma é extremamente negativo para que o negro atue em papéis positivos que contribuam para a auto-afirmação da sua imagem.
"
(Márcia Santos de Jesus em "A Negação do Brasil: O Negro na Telenovela Brasileira - Análise crítica do filme")


Ficha de Informações do Filme

Título: A NEGAÇÃO DO BRASIL
Duração: 91 min
Ano: 2000
Cidade: Rio de Janeiro, RJ  País: Brasil
Gênero: Documentário
Cor: Colorido/PB

Ficha Técnica

Direção: Joel Zito Araújo
Roteiro: Joel Zito Araújo
Empresa(s) Co-produtora(s): Casa de Criação
Produção Executiva: Joel Zito Araújo
Direção de Produção: Joel Zito Araújo
Direção Fotografia: Adrian Cooper e Cleumo Segond
Fotografia de Cena: Não
Montagem/Edição: Joel Zito Araújo e Adrian Cooper
Técnico de Som Direto: Toninho Murici
Edição Som: Equipe Estúdios Mega
Mixagem: Equipe Estúdios Mega
Classificação Indicativa: 12 anos

Currículo do filme

Prêmios: Roteiro premiado pelo Concurso Nacional de Projetos de Documentários do Ministério da Cultura - 1999.
Prêmios de Melhor Documentário, Melhor Pesquisa e Premio Quanta da Competição Brasileira do É TUDO VERDADE - 6º Festival Internacional de Documentários - 2001. SP-RJ;
Troféu especial "Gilberto Freire de Cinema" e Troféu de "Melhor Roteiro de Documentário" do 5º Festival de Cinema do Recife - 2001.


(Informações obtidas no site da Programadora Brasil)

sábado, 9 de junho de 2012

Programação de filmes e oficinas para o mês de Junho



     Apresentamos a nossa Programação para este mês de Junho/2012:

18/06, segunda-feira, às 19:30: O SOL É PARA TODOS (racismo, preconceito, segregação e injustiça); Censura: maiores de 14 anos

19/06, terça-feira, às 19:30: HISTÓRIAS CRUZADAS (racismo, preconceito, segregação, injustiça); Censura: maiores de 14 anos

20/06, quarta-feira, às 19:30: MISSISSIPI EM CHAMAS (racismo, preconceito, violência, crime); Censura: maiores de 16 anos

21/06, quinta-feira, às 19:30: O SOL TORNARÁ A BRILHAR (segregação, injustiça); Censura: maiores de 14 anos

22/06, sexta-feira, às 19:30: ADIVINHE QUEM VEM PARA O JANTAR (preconceito, segregação); Censura: maiores de 14 anos

23/06, sábado, às 19:30: FAÇA A COISA CERTA (racismo, preconceito, segregação, violência); Censura: maiores de 16 anos

OBSERVAÇÃO: A Coordenação da Casa de Leitura Lya Botelho se reserva o direito de exigir comprovação de idade dos espectadores, mediante documento legal (não se aceita xerox), por obediência às normas da Censura.

      Ainda que essas sessões de vídeo estejam programadas para serem exibidas no período noturno e para um público heterogêneo, elas podem ser agendadas previamente pelas escolas e demais instituições interessadas em exibirem para grupos de alunos, professores, estudantes universitários, membros de grupos, clubes e associações, nos horários que lhes forem mais convenientes.

*Lembramos que nossa sala de vídeos comporta um máximo de 30 pessoas e que essa listagem de filmes só poderá ser exibida na semana de 18 a 23 de junho. Os agendamentos deverão ser feitos por e-mail endereçado a casadeleitura@gmail.com , com a data, o horário e o número de pessoas que estarão presentes.

      Comunicamos, ainda, que no dia 22 de junho, sexta-feira, a Profª Natania Nogueira estará ministrando uma Oficina: “Racismo e Ideologias Políticas nas Histórias em Quadrinhos”, para Professores, Supervisores e Diretores da rede escolar, pública e privada, de Leopoldina.
Essa é uma excelente oportunidade de conhecer e avaliar, através do conhecimento da historiadora e pesquisadora, a forma com que as revistas em quadrinhos e as tirinhas lidam com as questões como a xenofobia, o racismo, preconceito ou reafirmação da superioridade de algum grupo étnico através da História.
      As inscrições gratuitas (20 vagas) para esta Oficina deverão ser feitas através do e-mail casadeleitura@gmail.com

Este Projeto e os eventos que fazem parte de seu escopo são apoiados pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho e patrocinados pela ENERGISA.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Racismo e Ideologias Políticas nas Histórias em Quadrinhos: uma oficina com a Profª Natania Nogueira



As tirinhas e as revistas em quadrinhos, como qualquer forma de arte, são um produto da geração que as criou. Em alguns casos, é bom ver o Capitão América usar de todo o seu patriotismo norte-americano para dar uns chutes nos traseiros dos nazistas. Em outros casos, no de um chefe indígena...

Ainda assim, como a própria sociedade, os quadrinhos se esforçam para seguir em frente, evoluirem e se afastarem dos pecados do passado. Claro que quadrinistas, desenhistas, editores fizeram algumas decisões raciais bastante ruins ("Devemos chamar todo super-herói negro de "Negro Isso ou Aquilo", pois assim então todo mundo saberá que eles são negros"), mas pelo menos eles tentaram progredir.
Ainda que suas tentativas de abordagem de questões raciais sejam equivocadas ou mal elaboradas, você não pode culpá-los por tentar, certo?

Oh, espere um pouco: é claro que você pode!

Vejam abaixo, extraído de um artigo chamado "Os 5 menos intencionalmente ofensivos personagens das revistas em quadrinhos", escrito por David Johnson no site Cracked.com:


Lois Lane, a eterna namorada do Super Homem, transforma-se numa negra e, surpreendentemente, volta a ser branca!




Na edição nº 106 da revista em quadrinhos "Lois Lane, a namorada do Super Homem" ( Superman's Girlfriend Lois Lane ), os criadores e editores tentaram resolver o problema racial de uma vez por todas. Lois Lane vai para o bairro africano (Little Africa) de Metrópolis (semelhante ao Harlem, em Nova York) fazer uma reportagem sobre alguma coisa que, na história, nunca fica esclarecida, apenas que ela está indo para lá para, também, aprender sobre "negritude", esperançosa em ganhar o prêmio Pulitzer por isso. "Nossa, meus leitores vão amar saber o quanto oprimidos e pobres vocês são!"

Lois entusiasmada, se vangloria, enquanto Clark Kent se pergunta se "negros" podem ser tecnicamente considerado um enunciado de tese.


Lois circula pelo bairro africano, mas todo mundo a evita ou a chama de "Branquela, a inimiga."




Lois conclui que isso não tem nada a ver com o seu interesse em pedir às pessoas para contar-lhe o que é ser  negro e tudo o mais, mas simplesmente porque ela é branca. Então ela pede ao Super Homem que mude a cor da sua pele por um dia com seu Transformoflux, de maneira que ela possa compreender melhor o que significa ser negro.


Super Homem tenta esclarecer: "Como é que você me acusa de racismo quando eu sou o únio alienígena neste planeta?"


Então, no que isso acaba dando?

Esses quadrinhos claramente tinham um objetivo. É óbvio que os criadores queriam enviar uma mensagem de aceitação e, ainda que a idéia de "nós não somos tão diferentes, você e eu", permanece, certamente, intacta, é a pobre, ignorada população negra, na história, que aprende a lição . Lois surge como uma mulher branca e bem-intencionada, mas é ignorada. Transforma-se em uma garota negra e passa a ser convidada para festas. Ela nunca reconhece que se mostrando como uma privilegiada mulher branca que considera a cultura negra "bacana" pode parecer ignorância. Ela não consegue pensar "Ei, eu acho que as minhas perguntas arrogantes, insensíveis foram, em algum momento, rudes," mas, por isso mesmo, acaba concluindo que os negros odeiam os brancos sem nenhuma razão. Isso, obviamente, não passa nenhuma mensagem de tolerância, mas acaba afirmando que "as pessoas negras são racistas." E, também, que o Super Homem deveria usar os seus poderes em causas mais importantes.




Na sua pesquisa, a agora negra Lois Lane conhece uma família pobre que a recebe por algum tempo, Eles estão passando por um período muito difícil, mas são as pessoas mais doces e otimistas no mundo. Lois Lane reage de forma grosseira e insensível:

"Desculpem-me, mas eu estou muito comovida em ver como a vida que vocês levam é horrorosa".


Obviamente a mulher está sorrindo e tem um bebê saudável, mas isso não impede que Lois pense em como verdadeiramente terrível sua vida é. Ela não consegue parar de chorar só em pensar na vida miserável que essas pessoas negras levam ...

Lois também se depara com um jardim de infância improvisado e um ativista (que, quando ela, Lois, era branca, a chamou de "a inimiga"). Eles tem um contato extremamente amigável , até que ele, o ativista, é baleado por alguns traficantes de drogas. Observação: mesmo que Super Homem deixe claro nos quadrinhos que, como estrangeiro, ninguém, mais do que ele, sabe o que é ser "diferente", isso não muda o fato de que ele claramente poderia ter salvo o ativista de levar um tiro:

"Não se preocupe, Lois, eu te trago de volta ao que você era. O rapaz negro, ele... ele parece que está com tudo sob controle. Tudo bem?"

Lois Lane doa seu sangue para salvá-lo e no momento em que ele está para recuperar os sentidos, sua cor negra começa a desaparecer e ela vai-se tornando branca, novamente.

Este é o grande momento destes quadrinhos. Continuará o rapaz negro a chamá-la de "a inimiga", mesmo depois dela term, valentemente, doado seu sangue para ajudá-lo, ainda que ela seja uma mulher branca? Ela fica sinceramente preocupada com isso. Ela sente-se insegura ao pensar se o homem é esclarecido o suficiente para percebê-la, além da cor da sua pele, como uma mulher trabalhadora, rica e bem sucedida, que salvou a sua vida.



Ele consegue ver isso! Hoje ele aprendeu uma valiosa lição: repórteres que surgem por aí, acreditando que a maneira que você é obrigado a viver é consequência de circunstâncias raciais socioeconomicamente prescristas, podendo, com essa história vir a entreter seus leitores brancos e privilegiados, devem ser tidos como confiáveis e receber sua atenção. Afinal, você nunca sabe quando uma pessoa branca poderá ajudá-lo, se eles acharem que devem. Portanto, seja bonzinho com eles e respondam às suas perguntas.


E assim, de maneira subliminar, os gibis, as tirinhas, as revistas em quadrinhos, também podem colaborar para exaltar a superioridade branca, criando personagens até simpáticos e superficialmente bem intencionados, mas cujo comportamento e ideologia traz um ranço de preconceito, ou desprezo com  outras etnias.

Para discutir e entender melhor esse assunto, a Casa de Leitura Lya Botelho convidou a Profª Natania Aparecida Nogueira para, no dia 22 de junho de 2012, em parceria com a Gibiteca Escolar, oferecer a oficina (gratuita) Racismos e Ideologias Políticas nas Histórias em Quadrinhos para professores da rede municipal, pública e privada do ensino fundamental ao Médio.
A proposta da oficina é explorar junto aos professores as várias possibilidade de se trabalhar temas atuais como a guerra, os racismos, a ecologia, dentre outros utilizando o recurso das histórias em quadrinhos. A Profª Natania Nogueira é coordenadora da Gibiteca E. M. Judith Linz Guedes Machado, de Leopoldina-M.
Essa oficina é parte integrante do Projeto Memória e Patrimônio Leopoldina-MG / Módulo 1: A importância do Negro no desenvolvimento sócio-econômico e cultural de Leopoldina, a ser desenvolvido pela Casa de Leitura Lya Botelho, entre os meses de Junho a Novembro de 2012, em conjunto com as escolas da rede pública e particular do município.

Período: das 14 às 17 horas no dia 22 de Junho, sexta-feira.
Vagas: 20 (gratuitas)
Local: Casa de Leitura Lya Botelho ( R. José Peres, 4 / em frente à Praça Félix Martins /  Leopoldina-MG)

As inscrições podem ser feitas no local ou pelo e-mail: gibitecacom@gmail.com ou casadeleitura@gmail.com

sábado, 2 de junho de 2012

Reunião ( I )


     Dia de reunião na Casa de Leitura Lya Botelho.

     Maria Lucia Braga e Alexandre Moreira, coordenadores do espaço criado pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho e mantido pela ENERGISA, estiveram reunidos com a pesquisadora e professora de História, Natania Aparecida Nogueira e com o cineasta, Lucas Mendonça, graduado pela PUC-RIO e que serão os responsáveis pelas Oficinas de Pesquisa, Roteiro, Filmagem e Edição, que acontecerão a partir de agosto, na Casa de Leitura Lya Botelho.

     Essas oficinas, oferecidas aos alunos do Ensino Médio  matriculados nas escolas públicas e particulares de Leopoldina, serão realizadas nos meses de Agosto, Setembro e Outubro e irão propiciar o conhecimento necessário para a produção de 5 curtas-metragens sobre aspectos do Patrimônio Histórico, material e imaterial da cidade. Esse material será apresentado, em primeira mão ao público, no dia em que é lembrado Zumbi dos Palmares, 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, e farão parte do acervo do Memorial Leopoldina.

     A professora Natania também estará participando da programação dos eventos paralelos desse Projeto com "O Negro e os Movimentos Sociais nas Histórias em Quadrinhos", uma oficina para professores e supervisores da rede escolar do município, e demais interessados, dia 22 de Junho, sexta-feira, das 14:00 às 17:00h. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas, por e-mail, fornecendo nome, função/cargo, telefone de contato: casadeleitura@gmail.com

     Enquanto isso, o cineasta Lucas Mendonça estará fazendo a curadoria dos filmes e documentários que serão exibidos, de Junho a Novembro, abordando assuntos decorrentes dos temas propostos pelo projeto. Uma seleção de grandes nomes do cinema nacional e internacional, que escreveram e produziram filmes abordando a questão do Negro, seus mitos e heróis, sua cultura e personagens ilustres, mas que não deixaram de lado temas complexos como a discriminação, o preconceito e suas, quase sempre trágicas, consequências,fazem parte desse verdadeiro festival de cinema.

     E assim continuam as reuniões, os contatos, os encontros, as discussões, tudo objetivando fazer desse Projeto uma verdadeira aula de cidadania para todos e uma oportunidade para os nossos estudantes participarem, ativamente, desse resgate de uma importante parcela da história da nossa cidade e região.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Projeto

 

     Junho começando e a Coordenação da Casa de Leitura Lya Botelho, de Leopoldina-MG, iniciando um novo Projeto, desenhado para que possa incentivar nos alunos do Ensino Médio das escolas da rede pública e particular do Município de Leopoldina-MG, a pesquisa, coleta de dados, organização e elaboração de conteúdos para a construção de um "Memorial Leopoldina", onde se preserve a história do nosso povo, da nossa gente.

     Enquanto Projeto, visa atender  alguns requisitos:
  1. incentivar aos alunos das escolas públicas e particulares de Leopoldina, e seus distritos, à pesquisa, ao conhecimento e valorização do seu Patrimônio Histórico, tanto material quanto imaterial;
  2. formar um acervo de documentários, gravações, depoimentos, fotografia e documentos vários sobre a contribuição do negro à formação e à cultura leopoldinense;
  3. proporcionar aos alunos do Ensino Médio das escolas públicas e particulares de Leopoldina, o conhecimento da teoria e prática da filmagem/gravação documental; proporcionar condições para que esses alunos tenham estejam munidos de informações e material necessário para realizarem suas pesquisas, fazerem as entrevistas e produzirem seus documentários;
  4. incentivar a leituram disponibilizando uma biblioteca, para leitores entre 7 e 16 anos, de títulos voltados à questão da identidade racial;
  5. oficinas de artes, artesanato, culinária para os alunos da rede de ensino, pública e particular, de Leopoldina-MG;
  6. estimular a ampliação desse debate através de palestras e mesas de debate com antropólogos, sociólogos, historiadores, lideres ativistas locais e a comunidade em geral;
  7. proporcionar uma ampla discussão sobre o papel do negro dentro da sociedade através de uma seleção de filmes de ficção e documentários, a serem exibidos os alunos das escolas públicas e priovadas do município, grupos e associações, e demais membros da sociedade;
  8. promover o resgate e a divulgação da cultura dos afrodescendentes através de espetáculos de dança, saraus literários, de apresentações de grupos folclóricos, de grupos musicais, do conhecimento da reliosidade afro-brasileira, da exposição do artesanato e das demonstrações de capoeiristas;
  9. abrir espaço para a discussão da aplicação da Lei nº 10.639, aprovada em 2003 pelo Congresso Nacional, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, tornando obrigatório o ensino de história e cultura da África e das populações negras brasileiras nas escolas de ensino fundamental e médio de todo o país; 
  10. e, finalmente, através dessas e outras ações paralelas, proporcionar, aos afrodescendentes e à populção local, o reconhecimento do valor e importância da contribuição negra para o município, região, estado e país, como um Patrimônio a ser preservado e constantemente acrescido e lembrado.
      Trabalhando diretamente com a Coordenadoria da Casa de Leitura Lya Botelho, na realização de Oficinas para a criação dos vídeos documentais, está a Profª Natania Aparecida da Silva Nogueira, pesquisadora, autora e professora de História, e Lucas Mendonça, graduado em Cinema pela PUC-RIO.

     Esse Projeto de Resgate da Memória de Leopoldina-MG surge da identificação de ainda existirem grandes áreas  passíveis de  aprofundamento do conhecimento, quando se trata da memória individual e coletiva, bem como da história, do Município de Leopoldina. Acreditamos que esse trabalho de pesquisa, catalogação, arquivamento, exposição e divulgação do Patrimônio Cultural, material e imaterial da cidade, poderia receber a valiosa e ativa colaboração dos seus próprios habitantes, neste caso, dos estudantes do Ensino Médio das escolas locais. Através de Oficinas de Documentário e de Redação, Palestras sobre temas específicos, Mostras temáticas de filmes, criação de dispositivos de Divulgação (site, blog, transmissão de vídeo on-line, programas radiofônicos, etc) e demais Ações Paralelas (shows musicais, lançamentos de livros, visitas monitoradas, etc), esses jovens cidadãos pudessem sentir-se motivados a resgatar a própria história através de um maior conhecimento, advindo da discussão das suas próprias raízes.


     Todo cidadão da nossa comunidade está, desde já, convidado a participar e trazer sua colaboração para este Módulo 1, do Projeto (que é constituído de outros módulos ou etapas a serem realizadas no futuro), e que se encerrará com uma grande mostra a acontecer entre os dias 20 e 25 de novembro, na Casa de Leitura Lya Botelho.