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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Mestre Vitalino duarte: artesão de sonhos e fantasias


     Vitalino Duarte foi uma daquelas pessoas que nascem para distribuirem alegria aos outros. Saído, ainda jovem, da roça, vindo buscar na cidade melhores condições de vida, acabou revelando-se uma das figuras mais conhecidas e importantes de Leopoldina.

Vitalino Duarte e Luiz Otávio animando o carnaval leopoldinense na década de 90


     Vitalino Duarte viveu para a alegria das festas populares, encontrando nelas a forma de exteriorizar uma alma que se enriquecia nos folguedos, nas brincadeiras, nos corsos, nos animados blocos carnavalescos, no exuberante colorido das modestas fantasias, no ritmo das marchinhas e dos temas do reinado momensco.

Bené Guedes, Jairo Fernandes e Carlos André entrevistam Vitalino Duarte

     A pesquisadora, historiadora e professora Natania Nogueira, no blog "História do Ensino", assim o descreve:

     "Nosso mais famoso carnavalesco foi Mestre Vitalino Duarte, conhecido em Leopoldina por promover festas populares. Nasceu no dia 15 de agosto de 1932. Em 1955 começou a se interessar pelo carnaval e, em 1959, fundou a Escola de Samba Acadêmicos de Leopoldina, da qual foi presidente. Morreu em 2003, depois de 47 anos como carnavalesco.

     Em seus primeiros carnavais, Mestre Vitalino desfilava pela cidade com uma Baiana e uma burrinha, arrastando multidões e cantando:

Arranjei uma burrinha,
Para brincar no carnaval,
Ai, ai, ai!
Ai, ai, ai!
A orelha era de palha
E o rabo de jornal,
Ai, ai, ai!
Ai, ai, ai!
Ê, ê, ê!
Ê, ê, a,
Montado na Burrinha,
Devagar eu chego lá!

Bloco carnavalesco criado por Mestre Vitalino Duarte, descendo o Bairro dos Pirineus em 2008
 
      A Casa de Leitura Lya Botelho, através do resgate da presença negra na construção sócio, política, econômica e cultural de Leopoldina-MG, presta uma homenagem a esse homem que tão bem representa o Patrimônio Cultural Imaterial da nossa cidade, com sua vida de trabalho e o seu legado em favor do resgate e preservação das festas populares, festas essas que são a expressão mais profunda de toda uma população.

Estante Vitalino Duarte, na Casa de Leitura Lya Botelho, em Leopoldina-MG
  
      Uma estante de livros infantojuvenis escritos por renomados autores africanos e afrodescendentes, sobre contos, lendas, parábolas, mitos e histórias dos negros e do continente africano foi organizada e a ela dado o seu nome: Mestre Vitalino Duarte. Justa e merecida homenagem ao homem que contribuiu para com a fantasia, a imaginação, a criação artística e a preservação da cultura do seu povo, da sua cidade.

     Mestre Vitalino Duarte, artesão de alegrias, é parte da Memória e do Patrimônio Cultural de Leopoldina-MG 

 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Mostra de Cinema Africano: a África na Zona da Mata


     Terminou, neste sábado dia 14 de julho, a "ÁFRICA: UM OUTRO OLHAR", Mostra de Cinema Africano promovido pela Casa de Leitura Lya Botelho, de Leopoldina-MG, com o patrocínio da ENERGISA, o Apoio Institucional da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e o Apoio Cultural da Cinemateca da Embaixada da França, do Institut Français e da própria Embaixada da França, além do jornal "Leopoldinense On-Line".

     Foram 8 filmes de países como Angola, Burkina Faso, Guiné-Bissau, África do Sul, Mali, Costa do Marfim, representantes do cinema contemporâneo daquele continente, propiciando uma visão da sua cultura,  modo de vida, seus rituais. Observar a riqueza da tradição oral traduzida em imagens, ora singelas, ora absurdamente poéticas, foi um dos benefícios proporcionados ao público que se fez presente às sessões realizadas.

     Essa Mostra, assim como a exibida anteriormente ("O Negro no Cinema Norte-Americano"), também faz parte do calendário de eventos do Módulo 1: A participação do Negro na construção sócio, política, econômica e cultural de Leopoldina, a primeira das cinco partes constantes do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG desenvolvido pela Casa de Leitura Lya Botelho.


     Fundamental para a realização dessa Mostra foi o apoio incontinenti oferecido pelo Sr. Thomas Sparfel, diretor da Cinemateca da Embaixada da França que, além de fornecer os respectivos vídeos, fez divulgar no site daquela entidade uma "chamada de capa" sobre o evento. De extrema importância, também, a generosa e constante divulgação dada pelo jornal "Leopoldinense On-Line", trazendo o resumo dos filmes, seus horários de apresentação e demais curiosidades.


     Graças ao patrocíno da ENERGISA, que possibilita a disseminação de ações culturais múltiplas por toda a area de atuação e da Fundação Ormeo Junqueira Botelho, à qual a Casa de Leitura Lya Botelho pertence, eventos como esse que ampliam horizontes, derrubam barreiras, modificam formas arcaicas de pensar e propiciam um contato mais próximo entre as manifestações artístico-culturais praticadas no mundo, a população de Leopoldina teve a oportunidade de sediar uma Mostra de Cinema com essa qualidade crítica e estética.

     A Casa de Leitura Lya Botelho, agora todas as quintas-feiras, às 19:30h, continua a exibir filmes de grande importância, seja por seu valor histórico, pelo contexto social que aborda, pelo valor da obra literária adaptada, pelo impacto causado quando da sua realização, sejam eles nacionais ou estrangeiros. Lembrando sempre que todas as sessões são gratuitas.

Apoio Cultural:



Apoio Institucional, Realização e Patrocínio:


sexta-feira, 13 de julho de 2012

BUUD YAM: a mítica viagem do herói em busca de si mesmo


      "BUUD YAM", do diretor burquinense Gaston Kaboré  narra, à maneira da tradição oral africana, uma mítica viagem de auto-descoberta.


     No começo do séc. XIX, Wend Kuuni, ao ser encontrado abandonado e quase morto no meio da selva, é adotado e criado por uma família de uma pequena aldeia africana localizada numa curva do Rio Niger após sua mãe ter sido morta por ser considerada feiticeira. Quando sua irmã adotiva, Pughneere, fica doente de uma misteriosa doença, Wend Kuuni deixa a aldeia e empreende uma longa viagem em busca de um curandeiro que a ajude a recuperar a saúde.

     Como numa história infantil, esse filme é a respeito da infância e da busca por uma identidade, do encontro consigo mesmo. Além disso, o filme levanta algumas questões fundamentais a respeito de coisas que constroem ou destroem o mundo e a humanidade: a tolerância e a inclusão social que permite às pessoas comuncarem-se e respeitarem-se, ou, ao contrário, a desconfiança, a intolerância, a exclusão e o consequente medo do outro.

     Nessa busca pelo lendário curandeiro que, com suas "ervas do leão", poderá curar sua irmã adotiva, Wend Kuuni realiza uma jornada inicática que o conduzira rumo às suas próprias raízes.

SERVIÇO:
Filme: "BUUD YAM", de Gaston Kaboré
Quando: sexta-feira, 13 de julho
Horário: 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 14 anos

Apoio Cultural:



Apoio Institucional, Realização e Patrocínio:


segunda-feira, 9 de julho de 2012

DRUM: um libelo em favor das causas humanitárias


     A Casa de Leitura Lya Botelho, dando continuidade à Mostra de Cinema Africano "ÁFRICA: UM OUTRO OLHAR", exibe na noite deste dia 9 de julho, segunda-feira, às 19:30h, a biografia filmada do jornalista sul-africano Henry Nxumalo realizada em 2004  pelo diretor Zola Maseko

     "DRUM" é um filme sobre a vida de Henry Nxumalo, jornalista investigativo famoso nos anos 50 em Sophiatown, bairro símbolo da resistência cutltural em Joanesburgo. Ele trabalhava em uma revista negra considerada intelectual ou "cult", "DRUM", verdadeira arma de mídia na época.

Capas de algumas das edições da revista sul-africana DRUM.

     Durante esta época, toda uma geração de autores, críticos, músicos e jornalistas exigentes sul-africanos surgiu e se expressou nessa resistência. Henry Nxumalo arriscou a vida denunciando as condições de tratamento dos negros que viveram e trabalharam durante os anos de segregação, apesar do assédio constante por parte das autoridades.



     Henry Nxumalo nasceu em 1917 em Margate, Natal, África do Sul e frequentou a Mission Fascadale School. Mostrando talento precoce como escritor, ele apresentou várias amostras de seu trabalho para publicações e como resultado lhe foi oferecido um emprego pelo jornal Post em Johanesburgo, que havia publicado algumas de suas contribuições anteriores.

      Alistou-se no Exército Sul-Africano, quando a Segunda Guerra Mundial estourou e foi enviado ao Egito, onde as forças Sul-Africanas estavam combatendo no Deserto Ocidental.

      Houve frustração em seu retorno à África do Sul, pois existiam poucas oportunidades para jornalistas negros, devido às restrições do apartheid. A maioria das publicações voltadas ao público negro eram controladas por interesses comerciais brancos e nenhuma delas ofereceu espaço para o tipo de investigação jornalística que Nxumalo tinha em mente realizar.

      Em 1951, o editor Jim Bailey criou a lendária revista DRUM, com Anthony Sampson como editor, e convidou Henry Nxumalo para o cargo de editor-assistente.


Henry Nxumalo e o seu obitúário, publicado em revista sul-africana

      Porém, a especialidade de Henry era o jornalismo investigativo. Empregando-se nas fazendas de batata, expôs as condições precárias (quase escravidão) vividas pelos trabalhadores negros. Preocupado com a falta de lei em Joanesburgo, ele iniciou um processo de agitação popular para combater esses erros e desvios e apelou ao apoio da polícia. Ele acabou sendo preso e foi enviado para a prisão central emJoanesburgo. O artigo resultante descrevendo as condições da ala onde os prisioneiros ficavam e as degradantes condições das revistas em prisioneiros nus foram notícia internacional Ele, novamente, conseguiu trabalho em uma fazenda onde um trabalhador Africano foi espancado até a morte com um pedaço de cano. Sua investigação sobre o possível apoio da  Igreja ao regime do apartheid mostrou a diferença entre o preconceito e o evangelho do amor fraterno.

      Em 1957, Henry estava investigando uma rede de clínicas de aborto quando ele foi assassinado por assaltantes desconhecidos.

      Em 2004, o nome da Rua Goch em Newtown, no centro cultural de Joanesburgo, foi alterado para Rua Henry Nxumalo Street.

Zola Maseko, diretor de "DRUM".



      "DRUM" foi o primeiro longa metragem do diretor Zola Maseko. Originalmente, foi concebido para ser uma série de 6 episódios chamada "Sophiatown Short Stories", mas por falta de orçamento, foi convertido em um filme. Com exceção dos dois protagonistas, interpretados pelos atores norte-americanos Taye Diggs e Gabriel Mann, a maior parte do elenco é formada por atores sul-africanos. O ator Lindane Nkosi faz o papel de Nelson Mandela.

     Zola Maseko nasceu em 1967 no exílio, mas nos finais dos anos 1980 junta-se à facção armada do ANC na luta contra o regime sul-africano do apartheid. Depois de estudar cinema e televisão no Reino Unido regressa à Africa do Sul, onde realiza “The Foreigner” (1994), o seu primeiro curta-metragem de ficção que aborda a xenofobia no seu próprio país. Seguem-se dois documentários sobre Sarah Baartman, a mulher que ficou conhecida como a Vénus Hotentote, uma história cruel do século XIX sobre racismo e exploração. “A Drink in the Passage” (2002) assinala a consagração de Maseko no FESPACO, onde recebe o prémio especial do júri, mas é com “DRUM” (2004) que recebe o seu prémio máximo, o "Corcel de Ouro", em Yennenga.

SERVIÇO:
Filme: "DRUM", do diretor Zola Maseko
Quando: dia 9 de julho, segunda-feira
Horário: 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 16 anos

Apoio Cultural:

 Apoio, Realização e Patrocínio:



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Clube dos Cutubas: Patrimônio Cultural de Leopoldina-MG

     
     A Casa de Leitura Lya Botelho recebeu no dia 05 de julho a visita dos Srs. Elpídio Rodrigues, Antonio Jorge Ramos de Oliveira e Waldir de Paula, do Conselho Administrativo e Consultivo do tradicional Clube dos Cutubas, de Leopoldina-MG.

Maria Lucia Braga, Coordenadora da Casa de Leitura Lya Botelho e o Sr. Waldir de Paula, do Conselho Deliberativo do Clube dos Cutubas

     Esse grupo veio entregar aos Coordenadores da Casa de Leitura Lya Botelho, Maria Lucia Braga e Alexandre Moreira, a título de empréstimo, o 1º dos livros Ata que registram a história dessa agremiação para ser digitalizado dentro do Módulo 1: "A participação do Negro na construção sócio, política, econômica e cultural de Leopoldina", do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG.


     A Casa de Leitura Lya Botelho, com o apoio da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e o patrocínio da ENERGISA, irá digitalizar todos os Livros Ata ainda existentes, bem como as fotos da Galeria dos Presidentes daquele clube cuja fundação remonta o ano de 1925.

Os Srs. Elpidio Rodrigues, Antonio Jorge Ramos de Oliveira e Waldir de Paula, da Diretoria do Clube dos Cutubas, com Alexandre Carlos Moreira, Coordenador da Casa de Leitura Lya Botelho

     Esse material digitalizado será disponibilizado no Memorial Leopoldina, a ser criado pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho, e cópia dele será entregue à diretoria do Clube dos Cutubas para ser arquivada junto com os livros originais.


     Preservar é manter vivos os elementos que contam a História e o Clube dos Cutubas definitivamente integra o Patrimônio Cultural de Leopoldina-MG.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Uma voz cantando a alegria do viver: NHA FALA (Minha Voz) abre a Mostra de Cinema Africano na Casa de Leitura Lya Botelho




Domingo, dia 8 de julho: Nha Fala  (França/Guiné Bissau/Luxemburgo/Portugal, 2002).

 Diretor: Flora Gomes (Guiné-Bissau)
Com Ângelo Torres, Bia Gomes, Danielle Evenou, Fatou N'Diaye, François Hadji-Lazaro, Jean-Christophe Dollé, Jorge Biague, José Carlos Imbombo. 
Comédia Musical em Cores.
Música: Manu Di Bango (Cabo Verde)
Duração 90’.

Em Cabo Verde, todos os acontecimentos que regem a vida social viram música. Mas na família da jovem Vita, uma superstição promete a morte a quem tentar. Na França, onde Vita estuda, ela encontra Pierre, músico, por quem se apaixona. Ela canta e Pierre descobre a beleza de sua voz, convencendo-a a gravar um disco que se torna sucesso. Mas Vita desafiou a tradição, e decide então voltar à casa para confessar à família a sua transgressão e receber o castigo.

O título "Nha Fala" significa "Minha voz", no dialeto creoulo.

Sobre o Diretor: Flora Gomes nasceu em 1949 em Cadique. Estudou cinema no ICAIC em Cuba e no Senegal. Trabalhou como repórter, ligado ao Ministério da Informação. É Câmera man, fotógrafo e cineasta na Guiné Bissau. 

SERVIÇO:
Filme: "Nha Fala" (Minha Voz), com Fatou N'Diaye e Bia Gomes
Quando: domingo, 8 de julho
Horário: 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina,MG)
Entrada grátis
Censura: 14 anos 

Apoio Cultural: 




 Apoio, Realização e Patrocínio:


 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Programação Oficial: Mostra de Cinema Africano na Casa de Leitura Lya Botelho


     Com o Apoio Cultural da Embaixada da França no Brasil, do Institut Français e da Cinemateca da Embaixada da França, a Casa de Leitura Lya Botelho, de Leopoldina, apresenta, de 8 a 14 de julho a Mostra de Cinema Africano "ÁFRICA: UM OUTRO OLHAR".

     Serão 8 filmes de produtores, diretores, roteiristas, técnicos e atores africanos, distribuidos em 7 dias de exibição, numa amostragem da produção cinematográfica africana "de raiz". O desconhecimento que temos dessa produção, seja pelo desinteresse dos distribuidores internacionais que dificulta o acesso às obras, ou devido a uma cinefilia "viciosa" pela produção norte-americana ou européia, poderá ser amenizado nessas sessões diárias que a Casa de Leitura promoverá no mes de julho, sempre às 19:30h.

     Abordando temas como as tradições, os costumes, os aspectos religiosos, a presença da guerra civil, histórias de sonhos e esperanças, a mostra reúne exemplos do trabalho de diretores como Zezé Gamboa "O Herói"), homenageado pelo FESTIVAL CINEPORT (produzido pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho), à Flora Gomes, com sua delicada e divertida "Nha Fala".

     Essa Mostra faz parte das atividades paralelas pertinentes ao Módulo 1: "A presença do Negro no desenvolvimento sócio, político, econômico e cultural de Leopoldina", do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG que a Casa de Leitura Lya Botelho vem desenvolvendo junto às escolas da rede pública e particular de ensino e aberta a toda a comunidade. No mês de Junho foi exibida a Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano", com uma seleção de filmes que pudessem traduzir a imagem do negro na sociedade norte-americana, interpretada pelo cinema daquele país. Em Julho, com essa Mostra "ÁFRICA: UM OUTRO OLHAR", buscamos filmes que proporcionassem, não apenas uma comparação entre origens, mas uma imersão dentro da estética e da linguagem de autores e artistas africano, falando deles mesmos, narrando suas histórias e assim nos permitindo vivenciar um pouco da vida naquele continente.

     Abaixo, a Programação da Mostra "ÁFRICA: UM OUTRO OLHAR":
  • domingo, 08 de julho: NHA FALA (diretor: Flora Gomes)
  • segunda-feira, 09 de julho: DRUM (diretor: Zola Maseko)
  • terça-feira, 10 de julho: O HERÓI (diretor: Zezé Gamboa)
  • quarta-feira, 11 de julho: O PREÇO DO PERDÃO (diretor: Mansur Sora Wade)
  • quinta-feira, 12 de julho: EM NOME DE CRISTO (diretor: Roger Gnoan M'bala)
  • sexta-feira, 13 de julho: BUUD YAM (diretor: Gaston Kaboré)
  • sábado, 14 de julho: COURTS DE RECRÉ e IMPRESSÕES DA ÁFRICA
    
     SERVIÇO:
     Quando: de 8 a 14 de julho de 2012
     Horário: sempre às 19:30h
     Onde: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4  /  Leopoldina-MG)
     Entrada franca
     Censura: confirmar a cada filme pelo telefone (32) 3441-2090


     APOIO CULTURAL: 



   APOIO, REALIZAÇÃO E PATROCÍNIO:







segunda-feira, 25 de junho de 2012

África: um certo olhar



     O PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG iniciado há apenas uma semana vai crescendo, tomando forma e se tornando conhecido da população de Leopoldina,MG.

     Resgatar o patrimônio é fazer notar o que a cidade e o município possuem de mais significativo para os seus cidadãos, bem como destacar o que cria a identidade de uma comunidade. Preservação, resgate, conservação, tombamento, bens culturais, memória oral são algumas das palavras e expressões usadas quando o assunto versa sobre tudo aquilo que forma um "retrato" da evolução histórica de uma cidade, dos seus habitantes, do seus costumes, suas festas, seus monumentos e casas, tudo, enfim, que os fazem orgulhosos do local onde vivem.

     Tradição também é um dos aspectos importantes quando se busca identificar o que deve, acima de tudo, ser preservado. Isso não significa uma atitude retrógrada ou um comportamento arcaico, mas uma tomada de consciência das raízes comuns que nos dão o sentimento de "pertencermos" a uma família, um grupo social, uma etnia, religião, um pedaço de terra.

     O PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG, desenvolvido pela Casa de Leitura Lya Botelho, com o apoio da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e o patrocínio da ENERGISA, visa envolver os alunos das escolas públicas e particulares, bem como toda a população local, nesse reencontro com suas raízes, suas tradições, sua verdadeira identidade através do reconhecimento dos bens materiais e imateriais que compõem Leopoldina em seus aspectos mais simbólicos.

     O Projeto, dividido em 5 partes, iniciou seu 1º Módulo, que versa sobre a presença e a participação do Negro na construção e desenvolvimento sócio, econômico, político e cultural de Leopoldina, com uma Mostra de filmes denominada "O Negro no Cinema Norte-Americano", quando 6 filmes considerados clássicos sobre a participação do Negro na sociedade norte-americana, foram exibidos.

     Para o mês de julho, entre outras atividades relacionadas aos aspectos da cultura afrobrasileira, acontecerá a Mostra "ÁFRICA: UM CERTOOLHAR", com uma seleção de filmes produzidos no continente africano, dirigido e atuado por africanos, sobre temas africanos. Não é, portanto, um olhar eurocêntrico sobre o chamado Continente Negro, mas a visão dos artistas locais sobre seus valores, sua cultura, seus problemas e as maneiras usadas na superação dos mesmos.




     Durante a semana de 8 (domingo) a 14 (sábado) de julho, sempre às 19:30h, a Casa de Leitura Lya Botelho estará exibindo 7 filmes de fição escritos, dirigidos e atuados por africanos de países diversos que proporcionarão um maior contato e uma  melhor visão sobre o cinema produzido naquele continente e os assuntos que mais impressionam e incentivam os seus artistas narrarem.   


     Necessário se faz agradecer o generoso apoio da Embaixada da França no Brasil, do Institut Français e da Cinemateca da Embaixada da França, através do seu responsável, Sr. Thomas Sparfel, que generosamente cederam os filmes para que fossem exibidos. Os agradecimentos da Casa de Leitura Lya Botelho se estendem também à ENERGISA, uma empresa interessada na mais ampla promoção da cultura e do seu acesso a todos. À Fundação Ormeo Junqueira Botelho, através de sua presidente, Sra. Monica Pérez Botelho, pelo constante apoio e incentivo às ações elaboradas pela Casa de Leitura Lya Botelho, o nosso muito obrigado.


SERVIÇO:
O que: Mostra de Cinema Africano "ÁFRICA, UM CERTO OLHAR"
Quando: de 8 a 14 de julho de 2012
Horário: 19:30h
Onde: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada Grátis
Censura: favor confirmar a cada dia do evento

sábado, 23 de junho de 2012

Faça a coisa certa: confrontos e ajustes na tela do cinema


"FAÇA A COISA CERTA" (Do the right thing), do diretor negro norte-americano Spike Lee encerra, neste sábado, dia 23 de junho, a Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano", da Casa De Leitura Lya Botelho de leopoldina-MG.

A Mostra, que exibiu 6 filmes considerados "clássicos" por sociólogos e crítica especializada, dentro da abordagem que o cinema proporcionou com a questão racial, deixa um saldo positivo, tanto em termos de audiência, como na qualidade das discussões posteriores às exibições.

"FAÇA A COISA CERTA", cuja história tem como cenário o Harlem, bairro novaiorquino onde a maioria da população é predominantemente negra, Buggin' Out, um ativista, exige que Sal, um dono de uma pizzaria, troque as fotos de seus ídolos brancos do local por fotos de ídolos negros. Quando tem seu pedido negado, o ativista passa a organizar um boicote contra a pizzaria de Sal.

SERVIÇO:
Filme: "Faça a coisa certa", com Spike Lee e Danny Ayello
Quando: sábado, dia 23 de junho de 2012
Horário: às 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 16 anos

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Quando o discurso "politicamente correto" conflita com os próprios interesses: "Adivinhe quem vem para o jantar"


"ADIVINHE QUEM VEM PARA O JANTAR" (Guess who's coming to dinner) é um filme de 1967 que é um macro sobre as questões de miscigenação racial no casamento.

Joanna (Katherine Houghton), a bela filha de um editor liberal, Matthew Drayton (Spencer Tracy) , e sua esposa aristocrata (Katherine Hepburn), retorna para casa com seu novo namorado Joh Prentice (Sidney Poitier), um ilustre médico negro. Cristina aceita a decisão da filha de se casar com John, mas seu pai está chocado com essa união inter-racial; bem como os pais do médico. Para acertar as coisas, ambas as famílias devem sentar-se frente a frente e examinar os seus níveis de intolerância.

Neste filme, o diretor Stanley Kramer criou um estudo magistral dos preconceitos sociais.

O filme, que será exibido hoje, dia 22 de junho às 19:30h na Casa De Leitura Lya Botelho, faz parte da Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano", do Módulo 1 (A participação do Negro no desenvolvimento sócio, político, econômico e cultural de Leopoldina) do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMONIO: LEOPOLDINA-MG,  que tem o apoio da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e o patrocínio da ENERGISA.

SERVIÇO:
Filme: "Adivinhe quem vem para o jantar", com Sidney Poitier, Katherine Hepburn
Quando: hoje, dia 22 de junho
Horário: 19:30h (pontualmente!)
Onde: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 14 anos

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sonhos & Enganos: "O sol tornará a brilhar", na Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano"


Os sonhos podem fazer valer a pena viver, mas eles também podem ser estilhaçados por decisões erradas. Esta é a encruzilhada em que se encontra a família Younger quando seu pai morre e recebem US$10.000 do seguro de vida. Será que devem comprar uma casa nova para a família? Talvez uma loja? Ou pagar pela escola de medicina? Apesar da escolha ser difícil, a vida no lado sul de Chicago na década de 1950 é mais difícil ainda.

Esse é o enredo de "O SOL TORNARÁ A BRILHAR" (A raisin in the sun), filme que será exibido hoje, quinta-feira, às 19:30, com entrada grátis e censura 16 anos, na Casa De Leitura Lya Botelho, em Leopoldina.

Este filme é um dos integrantes da Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano", que integra o conjunto de eventos do Módulo 1 (A Importância do Negro no desenvolvimento sócio, político, econômico e cultural de Leopoldina) do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG que a Casa de Leitura Lya Botelho desenvolve, com o apoio da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e o patrocínio da ENERGISA.

SERVIÇO:
Filme: "O sol tornará a brilhar", com Sidney Poitier
Quando: quinta-feira, 21 de junho de 2012
Horário: 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 16 anos

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A busca da verdade: "Mississipi em Chamas"


     Nesta quarta-feira, às 19:30h, estará sendo exibido, na Casa De Leitura Lya Botelho, o filme MISSISSIPI EM CHAMAS (Mississipi Burning) que conta a história (verídica) acontecida em 1964, no estado do Mississipi, um dos mais preconceituosos estados do sul dos Estados Unidos.

      Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willem Dafoe), dois agentes do FBI, investigam a morte de três militantes dos direitos civis em uma pequena cidade onde a segregação divide a população em brancos e negros e a violência contra os estes últimos é uma tônica constante. 


     Durante o Verão da Liberdade, em que estudantes universitários do norte dos Estados Unidos partiram para o sul segregacionista na missão de inscrever os negros para eleição, três jovens ativistas dos "Direitos Humanos" desaparecem misteriosamente. Dois agentes federais, um recém-formado, interpretado por Willem Defoe e outro veterano do sul, feito por Gene Hackman, são designados para desvendar o caso. No dia anterior à sua chegada, havia sido incendiada uma igreja onde os negros congregavam, e ao chegarem na cidade, durante a investigação, puderam perceber o racismo que exalava dos brancos e subjugava à força os negros. Estava infiltrado na Polícia local, na igreja, em todos os lares.

      Este filme faz parte da Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano", que acontece nesta semana na Casa de Leitura Lya Botelho, dentro do Módulo 1 ("A Contribuição do Negro na vida sócio, política, econômica e cultural de Leopoldina") do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPODINA-MG.

SERVIÇO:
Filme: "Mississipi em Chamas", com Gene Hackman e William Dafoe
Quando, hoje, dia 20 de junho, quarta-feira
Horário: 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG
Entrada Grátis:
CENSURA: 16 ANOS ( A Coordenadoria da Casa de Leitura Lya Botelho se reserva o direito de solicitar documento de identidade original para a comprovação de idade)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Começa a Mostra "O Negro no Cinema Norte-Americano"

    
 
     Começou ontem, dia 18 de junho, a Mostra "O NEGRO NO CINEMA NORTE-AMERICANO", parte integrante do Módulo 1 ("A participação do Negro no desenvolvimento sócio, político, econômico e cultural de Leopoldina-MG") do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG que a Casa de leitura Lya Botelho, com o apoio da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e patrocínio da ENERGISA, está iniciando.

     Esse Projeto, planejado para ser realizado em 5 semestres, abordará diversos aspectos e focos de interesse da formação da cidade de Leopoldina-MG. 

     O Módulo 1 (1º Semestre) foca na presença do Negro como elemento constituinte da nossa cultura e história. Sua inegável colaboração para o progresso da cidade e da região será registrada, e temas e sub-temas, pelos alunos dos cursos de Nível Médio da rede escolar do município. Enquanto esse rico acervo é coletado, todos os alunos das escolas públicas e particulares de Leopoldina e seus distritos estarão participando de grupos de leitura, de oficinas e demais atividades sempre ligadas ao estudo, resgate e valorização da cultura negra.

     Numa demonstração de interesse e de como é importante a participação da sociedade em projetos que abordem a sua história, estiveram lotando a sala de exibições da Casa de Leitura Lya Botelho, na noite de ontem, os alunos do Curso Técnico em Comércio, da Rede DOCTUM/ Tec de Cursos Profissionalizantes. Liderados pelo professor da disciplina de Ética e Responsabilidade Social, Túlio Augusto Bastos, levaram para um posterior debate, as questões mais marcantes desse excelente filme norte-americano: a ética, o preconceito, a intolerância, o medo, a dificuldade em aceitar as diferenças, o repúdio social.

     É exatamente com esse intuito, o de estabelecer condições para um debate sobre as questões que permeiam as relações humanas, que a Casa de Leitura Lya Botelho procura viabilizar o acesso à informação, às novas e possivelmente diferentes maneiras de analizar-se situações, à desconstrução de ideologias e conceitos pré-concebidos, utilizando-se, para tanto, do recurso do cinema.
 
     "O SOL É PARA TODOS" (To kill a Mokingbird) baseado num famosos bestseller, narra a luta travada por um advogado de uma pequena e pacata cidade do Sul dos Estados Unidos, que recebe a tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de ter estuprado jovem branca. Ainda que todas as provas e evidências inocentem o acusado, Atticus, o advogado tem que enfrentar todo o preconceito de uma sociedade injusta, hipócrita, cruel e imoral.

Baseado num romance de Harper Lee, "O SOL É PARA TODOS" é um excelente filme de tribunal. Realizado em 1962 pelo cineasta Robert Mulligan, o filme apresenta, sob a ótica de duas crianças, preceitos básicos como a ética e a dignidade.
 
A Mostra "O NEGRO NO CINEMA NORTE-AMERICANO" continua até sábado, dia 22 de junho, todas as noites às 19:30h, na sala de exibições da Casa de Leitura Lya Botelho.
 
Devido ao número limitado de lugares (25), a Coordenação da Casa de Leitura Lya Botelho estará distribuindo senhas para as sessões, 30 minutos antes do início das mesmas.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Racismo e Ideologias Políticas nas Histórias em Quadrinhos: uma oficina com a Profª Natania Nogueira



As tirinhas e as revistas em quadrinhos, como qualquer forma de arte, são um produto da geração que as criou. Em alguns casos, é bom ver o Capitão América usar de todo o seu patriotismo norte-americano para dar uns chutes nos traseiros dos nazistas. Em outros casos, no de um chefe indígena...

Ainda assim, como a própria sociedade, os quadrinhos se esforçam para seguir em frente, evoluirem e se afastarem dos pecados do passado. Claro que quadrinistas, desenhistas, editores fizeram algumas decisões raciais bastante ruins ("Devemos chamar todo super-herói negro de "Negro Isso ou Aquilo", pois assim então todo mundo saberá que eles são negros"), mas pelo menos eles tentaram progredir.
Ainda que suas tentativas de abordagem de questões raciais sejam equivocadas ou mal elaboradas, você não pode culpá-los por tentar, certo?

Oh, espere um pouco: é claro que você pode!

Vejam abaixo, extraído de um artigo chamado "Os 5 menos intencionalmente ofensivos personagens das revistas em quadrinhos", escrito por David Johnson no site Cracked.com:


Lois Lane, a eterna namorada do Super Homem, transforma-se numa negra e, surpreendentemente, volta a ser branca!




Na edição nº 106 da revista em quadrinhos "Lois Lane, a namorada do Super Homem" ( Superman's Girlfriend Lois Lane ), os criadores e editores tentaram resolver o problema racial de uma vez por todas. Lois Lane vai para o bairro africano (Little Africa) de Metrópolis (semelhante ao Harlem, em Nova York) fazer uma reportagem sobre alguma coisa que, na história, nunca fica esclarecida, apenas que ela está indo para lá para, também, aprender sobre "negritude", esperançosa em ganhar o prêmio Pulitzer por isso. "Nossa, meus leitores vão amar saber o quanto oprimidos e pobres vocês são!"

Lois entusiasmada, se vangloria, enquanto Clark Kent se pergunta se "negros" podem ser tecnicamente considerado um enunciado de tese.


Lois circula pelo bairro africano, mas todo mundo a evita ou a chama de "Branquela, a inimiga."




Lois conclui que isso não tem nada a ver com o seu interesse em pedir às pessoas para contar-lhe o que é ser  negro e tudo o mais, mas simplesmente porque ela é branca. Então ela pede ao Super Homem que mude a cor da sua pele por um dia com seu Transformoflux, de maneira que ela possa compreender melhor o que significa ser negro.


Super Homem tenta esclarecer: "Como é que você me acusa de racismo quando eu sou o únio alienígena neste planeta?"


Então, no que isso acaba dando?

Esses quadrinhos claramente tinham um objetivo. É óbvio que os criadores queriam enviar uma mensagem de aceitação e, ainda que a idéia de "nós não somos tão diferentes, você e eu", permanece, certamente, intacta, é a pobre, ignorada população negra, na história, que aprende a lição . Lois surge como uma mulher branca e bem-intencionada, mas é ignorada. Transforma-se em uma garota negra e passa a ser convidada para festas. Ela nunca reconhece que se mostrando como uma privilegiada mulher branca que considera a cultura negra "bacana" pode parecer ignorância. Ela não consegue pensar "Ei, eu acho que as minhas perguntas arrogantes, insensíveis foram, em algum momento, rudes," mas, por isso mesmo, acaba concluindo que os negros odeiam os brancos sem nenhuma razão. Isso, obviamente, não passa nenhuma mensagem de tolerância, mas acaba afirmando que "as pessoas negras são racistas." E, também, que o Super Homem deveria usar os seus poderes em causas mais importantes.




Na sua pesquisa, a agora negra Lois Lane conhece uma família pobre que a recebe por algum tempo, Eles estão passando por um período muito difícil, mas são as pessoas mais doces e otimistas no mundo. Lois Lane reage de forma grosseira e insensível:

"Desculpem-me, mas eu estou muito comovida em ver como a vida que vocês levam é horrorosa".


Obviamente a mulher está sorrindo e tem um bebê saudável, mas isso não impede que Lois pense em como verdadeiramente terrível sua vida é. Ela não consegue parar de chorar só em pensar na vida miserável que essas pessoas negras levam ...

Lois também se depara com um jardim de infância improvisado e um ativista (que, quando ela, Lois, era branca, a chamou de "a inimiga"). Eles tem um contato extremamente amigável , até que ele, o ativista, é baleado por alguns traficantes de drogas. Observação: mesmo que Super Homem deixe claro nos quadrinhos que, como estrangeiro, ninguém, mais do que ele, sabe o que é ser "diferente", isso não muda o fato de que ele claramente poderia ter salvo o ativista de levar um tiro:

"Não se preocupe, Lois, eu te trago de volta ao que você era. O rapaz negro, ele... ele parece que está com tudo sob controle. Tudo bem?"

Lois Lane doa seu sangue para salvá-lo e no momento em que ele está para recuperar os sentidos, sua cor negra começa a desaparecer e ela vai-se tornando branca, novamente.

Este é o grande momento destes quadrinhos. Continuará o rapaz negro a chamá-la de "a inimiga", mesmo depois dela term, valentemente, doado seu sangue para ajudá-lo, ainda que ela seja uma mulher branca? Ela fica sinceramente preocupada com isso. Ela sente-se insegura ao pensar se o homem é esclarecido o suficiente para percebê-la, além da cor da sua pele, como uma mulher trabalhadora, rica e bem sucedida, que salvou a sua vida.



Ele consegue ver isso! Hoje ele aprendeu uma valiosa lição: repórteres que surgem por aí, acreditando que a maneira que você é obrigado a viver é consequência de circunstâncias raciais socioeconomicamente prescristas, podendo, com essa história vir a entreter seus leitores brancos e privilegiados, devem ser tidos como confiáveis e receber sua atenção. Afinal, você nunca sabe quando uma pessoa branca poderá ajudá-lo, se eles acharem que devem. Portanto, seja bonzinho com eles e respondam às suas perguntas.


E assim, de maneira subliminar, os gibis, as tirinhas, as revistas em quadrinhos, também podem colaborar para exaltar a superioridade branca, criando personagens até simpáticos e superficialmente bem intencionados, mas cujo comportamento e ideologia traz um ranço de preconceito, ou desprezo com  outras etnias.

Para discutir e entender melhor esse assunto, a Casa de Leitura Lya Botelho convidou a Profª Natania Aparecida Nogueira para, no dia 22 de junho de 2012, em parceria com a Gibiteca Escolar, oferecer a oficina (gratuita) Racismos e Ideologias Políticas nas Histórias em Quadrinhos para professores da rede municipal, pública e privada do ensino fundamental ao Médio.
A proposta da oficina é explorar junto aos professores as várias possibilidade de se trabalhar temas atuais como a guerra, os racismos, a ecologia, dentre outros utilizando o recurso das histórias em quadrinhos. A Profª Natania Nogueira é coordenadora da Gibiteca E. M. Judith Linz Guedes Machado, de Leopoldina-M.
Essa oficina é parte integrante do Projeto Memória e Patrimônio Leopoldina-MG / Módulo 1: A importância do Negro no desenvolvimento sócio-econômico e cultural de Leopoldina, a ser desenvolvido pela Casa de Leitura Lya Botelho, entre os meses de Junho a Novembro de 2012, em conjunto com as escolas da rede pública e particular do município.

Período: das 14 às 17 horas no dia 22 de Junho, sexta-feira.
Vagas: 20 (gratuitas)
Local: Casa de Leitura Lya Botelho ( R. José Peres, 4 / em frente à Praça Félix Martins /  Leopoldina-MG)

As inscrições podem ser feitas no local ou pelo e-mail: gibitecacom@gmail.com ou casadeleitura@gmail.com

sábado, 2 de junho de 2012

Reunião ( I )


     Dia de reunião na Casa de Leitura Lya Botelho.

     Maria Lucia Braga e Alexandre Moreira, coordenadores do espaço criado pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho e mantido pela ENERGISA, estiveram reunidos com a pesquisadora e professora de História, Natania Aparecida Nogueira e com o cineasta, Lucas Mendonça, graduado pela PUC-RIO e que serão os responsáveis pelas Oficinas de Pesquisa, Roteiro, Filmagem e Edição, que acontecerão a partir de agosto, na Casa de Leitura Lya Botelho.

     Essas oficinas, oferecidas aos alunos do Ensino Médio  matriculados nas escolas públicas e particulares de Leopoldina, serão realizadas nos meses de Agosto, Setembro e Outubro e irão propiciar o conhecimento necessário para a produção de 5 curtas-metragens sobre aspectos do Patrimônio Histórico, material e imaterial da cidade. Esse material será apresentado, em primeira mão ao público, no dia em que é lembrado Zumbi dos Palmares, 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, e farão parte do acervo do Memorial Leopoldina.

     A professora Natania também estará participando da programação dos eventos paralelos desse Projeto com "O Negro e os Movimentos Sociais nas Histórias em Quadrinhos", uma oficina para professores e supervisores da rede escolar do município, e demais interessados, dia 22 de Junho, sexta-feira, das 14:00 às 17:00h. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas, por e-mail, fornecendo nome, função/cargo, telefone de contato: casadeleitura@gmail.com

     Enquanto isso, o cineasta Lucas Mendonça estará fazendo a curadoria dos filmes e documentários que serão exibidos, de Junho a Novembro, abordando assuntos decorrentes dos temas propostos pelo projeto. Uma seleção de grandes nomes do cinema nacional e internacional, que escreveram e produziram filmes abordando a questão do Negro, seus mitos e heróis, sua cultura e personagens ilustres, mas que não deixaram de lado temas complexos como a discriminação, o preconceito e suas, quase sempre trágicas, consequências,fazem parte desse verdadeiro festival de cinema.

     E assim continuam as reuniões, os contatos, os encontros, as discussões, tudo objetivando fazer desse Projeto uma verdadeira aula de cidadania para todos e uma oportunidade para os nossos estudantes participarem, ativamente, desse resgate de uma importante parcela da história da nossa cidade e região.

Lideranças ( I )



     Quem esteve na manhã de ontem, dia 31 de maio, na Casa de Leitura Lya Botelho, foi o Sr. Amaury Santos, ativo membro da comunidade negra de Leopoldina, a convite dos Coordenadores Maria Lucia Braga e Alexandre Moreira.

     Foi feita uma apresentação de todo o Projeto Memória Leopoldina (Módulo 1) para o ilustre convidado, inclusive do conteúdo pedagógico do mesmo, bem como da extensa programação de atividades que envolverão, não apenas as escolas públicas e particulares do município, mas todos os seus cidadãos.

     O que a Coordenadoria da Casa de Leitura Lya Botelho pretende é, através dos Módulos constituintes desse amplo Projeto de Memória Leopoldina, pesquisar, organizar e formatar conteúdos que preservem a nossa história, através de todos os elementos que a compõem. Portanto, num espectro de múltiplas possibilidades, decidiu-se iniciar pelo módulo que abrange uma das maiores etnias do local, os negros.

     Representando mais de 60% da população de Leopoldina, a comunidade negro carrega consigo um legado histórico de valor inestimável e sua participação na construção sócio-econômica-cultural do município deve receber o mérito devido. Desejamos, portanto, que as lideranças negras, os líderes comunitários, representantes de órgãos públicos, cientistas sociais, antropólogos, historiadores, produtores culturais, se aglutinem em torno desse Projeto e tragam a sua contribuição efetiva para esse nascente acervo. Que os nossos estudantes, representantes das novas gerações de leopoldinenses, possam sentir que a história oral e escrita, os fatos documentados ou lembrados, são cuidadosamente preservados e zelosamente transmitidos pelos guardiães dessas informações, num processo contínuo, que flui com o rio da história.

     Outros Módulos certamente virão, cada um abordando um dos aspectos constituintes do mosaico que é o nosso Patrimônio Cultural. Ao final, teremos atualizado e enriquecido o acervo da nossa história, com novos dados e conteúdos, propiciando a criação de um verdadeiro e merecido Memorial para a nossa cidade.