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terça-feira, 17 de julho de 2012

Mostra de Cinema Africano: a África na Zona da Mata


     Terminou, neste sábado dia 14 de julho, a "ÁFRICA: UM OUTRO OLHAR", Mostra de Cinema Africano promovido pela Casa de Leitura Lya Botelho, de Leopoldina-MG, com o patrocínio da ENERGISA, o Apoio Institucional da Fundação Ormeo Junqueira Botelho e o Apoio Cultural da Cinemateca da Embaixada da França, do Institut Français e da própria Embaixada da França, além do jornal "Leopoldinense On-Line".

     Foram 8 filmes de países como Angola, Burkina Faso, Guiné-Bissau, África do Sul, Mali, Costa do Marfim, representantes do cinema contemporâneo daquele continente, propiciando uma visão da sua cultura,  modo de vida, seus rituais. Observar a riqueza da tradição oral traduzida em imagens, ora singelas, ora absurdamente poéticas, foi um dos benefícios proporcionados ao público que se fez presente às sessões realizadas.

     Essa Mostra, assim como a exibida anteriormente ("O Negro no Cinema Norte-Americano"), também faz parte do calendário de eventos do Módulo 1: A participação do Negro na construção sócio, política, econômica e cultural de Leopoldina, a primeira das cinco partes constantes do PROJETO MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: LEOPOLDINA-MG desenvolvido pela Casa de Leitura Lya Botelho.


     Fundamental para a realização dessa Mostra foi o apoio incontinenti oferecido pelo Sr. Thomas Sparfel, diretor da Cinemateca da Embaixada da França que, além de fornecer os respectivos vídeos, fez divulgar no site daquela entidade uma "chamada de capa" sobre o evento. De extrema importância, também, a generosa e constante divulgação dada pelo jornal "Leopoldinense On-Line", trazendo o resumo dos filmes, seus horários de apresentação e demais curiosidades.


     Graças ao patrocíno da ENERGISA, que possibilita a disseminação de ações culturais múltiplas por toda a area de atuação e da Fundação Ormeo Junqueira Botelho, à qual a Casa de Leitura Lya Botelho pertence, eventos como esse que ampliam horizontes, derrubam barreiras, modificam formas arcaicas de pensar e propiciam um contato mais próximo entre as manifestações artístico-culturais praticadas no mundo, a população de Leopoldina teve a oportunidade de sediar uma Mostra de Cinema com essa qualidade crítica e estética.

     A Casa de Leitura Lya Botelho, agora todas as quintas-feiras, às 19:30h, continua a exibir filmes de grande importância, seja por seu valor histórico, pelo contexto social que aborda, pelo valor da obra literária adaptada, pelo impacto causado quando da sua realização, sejam eles nacionais ou estrangeiros. Lembrando sempre que todas as sessões são gratuitas.

Apoio Cultural:



Apoio Institucional, Realização e Patrocínio:


terça-feira, 10 de julho de 2012

As sobras da guerra: O HERÓI




     O processo de descolonização de Angola resultou numa guerra civil de dimensões catastróficas e que durou 27 anos. Centenas de milhares de mortos, desabrigados, refugiados e mutilados, uma economia arruinada além de um país inteiro a ser reconstruído, foi o rescaldo desse conflito, considerado um dos mais longos da história.


     Homem do seu tempo, artista sensível, diretor de cinema e TV,  nascido em 1955 em Luanda, Zézé Gamboa, faz neste seu longa metragem de 2004, "O HERÓI", um libelo contra os horrores que aquele sofrido país africano viveu durante quase três décadas de conflitos internos.

      Após uma violenta guerra civil de 27 anos, Angola encontra-se numa situação em que tudo está por refazer. A reconstrução Nacional passa necessariamente pelo reencontro de valores morais e pela reintegração de seres por vezes perdidos e mutilados física e espiritualmente, que precisam encontrar o seu lugar como elementos válidos de uma sociedade, ela própria em reanimação, e reencontrar a sua dignidade como humanos. O personagem principal é uma dessas pessoas que não mais se reconhecem e nem tem, ou encontram, para onde voltar. Mutilado, física e espiritualmente, o seu calvário continua num país que, como ele, busca reerguer-se apesar dos profundos ferimentos e das perdas irrecuperáveis.


     Esse filme, primeiro longa-metragem realizado por Zézé Gamboa, uma co-produção de Angola, França e Portugal, recebeu 29 prêmioa internacionais, uma das quais o prestigiado premio do júri para o "melhor filme dramático estrangeiro" no “Sundance”, o maior festival mundial de cinema independente.


     O projeto que Zézé Gamboa “tinha de fazer”, uma homenagem aos mutilados angolanos, tem argumento de Carla Batista e as expressivas atuações  Oumar Makena Diop, senegalês, e Maria Ceiça e Neuza Borges, brasileiras.

      "O HERÓI" será exibido hoje, terça-feira, dia 10 de julho, às 19:30h, na Casa De Leitura Lya Botelho, em Leopoldina, como parte da Mostra de Cinema Africano, "ÁFRICA: UM OUTRO OLHAR".

SERVIÇO:
Filme: "O HERÓI", do diretor Zezé Gamboa (Angola)
Quando, hoje, dia 10 de julho
Horário: 19:30h
Onde: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 16 anos

Apoio Cultural:



Apoio Institucional, Realização e Patrocínio:


 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

DRUM: um libelo em favor das causas humanitárias


     A Casa de Leitura Lya Botelho, dando continuidade à Mostra de Cinema Africano "ÁFRICA: UM OUTRO OLHAR", exibe na noite deste dia 9 de julho, segunda-feira, às 19:30h, a biografia filmada do jornalista sul-africano Henry Nxumalo realizada em 2004  pelo diretor Zola Maseko

     "DRUM" é um filme sobre a vida de Henry Nxumalo, jornalista investigativo famoso nos anos 50 em Sophiatown, bairro símbolo da resistência cutltural em Joanesburgo. Ele trabalhava em uma revista negra considerada intelectual ou "cult", "DRUM", verdadeira arma de mídia na época.

Capas de algumas das edições da revista sul-africana DRUM.

     Durante esta época, toda uma geração de autores, críticos, músicos e jornalistas exigentes sul-africanos surgiu e se expressou nessa resistência. Henry Nxumalo arriscou a vida denunciando as condições de tratamento dos negros que viveram e trabalharam durante os anos de segregação, apesar do assédio constante por parte das autoridades.



     Henry Nxumalo nasceu em 1917 em Margate, Natal, África do Sul e frequentou a Mission Fascadale School. Mostrando talento precoce como escritor, ele apresentou várias amostras de seu trabalho para publicações e como resultado lhe foi oferecido um emprego pelo jornal Post em Johanesburgo, que havia publicado algumas de suas contribuições anteriores.

      Alistou-se no Exército Sul-Africano, quando a Segunda Guerra Mundial estourou e foi enviado ao Egito, onde as forças Sul-Africanas estavam combatendo no Deserto Ocidental.

      Houve frustração em seu retorno à África do Sul, pois existiam poucas oportunidades para jornalistas negros, devido às restrições do apartheid. A maioria das publicações voltadas ao público negro eram controladas por interesses comerciais brancos e nenhuma delas ofereceu espaço para o tipo de investigação jornalística que Nxumalo tinha em mente realizar.

      Em 1951, o editor Jim Bailey criou a lendária revista DRUM, com Anthony Sampson como editor, e convidou Henry Nxumalo para o cargo de editor-assistente.


Henry Nxumalo e o seu obitúário, publicado em revista sul-africana

      Porém, a especialidade de Henry era o jornalismo investigativo. Empregando-se nas fazendas de batata, expôs as condições precárias (quase escravidão) vividas pelos trabalhadores negros. Preocupado com a falta de lei em Joanesburgo, ele iniciou um processo de agitação popular para combater esses erros e desvios e apelou ao apoio da polícia. Ele acabou sendo preso e foi enviado para a prisão central emJoanesburgo. O artigo resultante descrevendo as condições da ala onde os prisioneiros ficavam e as degradantes condições das revistas em prisioneiros nus foram notícia internacional Ele, novamente, conseguiu trabalho em uma fazenda onde um trabalhador Africano foi espancado até a morte com um pedaço de cano. Sua investigação sobre o possível apoio da  Igreja ao regime do apartheid mostrou a diferença entre o preconceito e o evangelho do amor fraterno.

      Em 1957, Henry estava investigando uma rede de clínicas de aborto quando ele foi assassinado por assaltantes desconhecidos.

      Em 2004, o nome da Rua Goch em Newtown, no centro cultural de Joanesburgo, foi alterado para Rua Henry Nxumalo Street.

Zola Maseko, diretor de "DRUM".



      "DRUM" foi o primeiro longa metragem do diretor Zola Maseko. Originalmente, foi concebido para ser uma série de 6 episódios chamada "Sophiatown Short Stories", mas por falta de orçamento, foi convertido em um filme. Com exceção dos dois protagonistas, interpretados pelos atores norte-americanos Taye Diggs e Gabriel Mann, a maior parte do elenco é formada por atores sul-africanos. O ator Lindane Nkosi faz o papel de Nelson Mandela.

     Zola Maseko nasceu em 1967 no exílio, mas nos finais dos anos 1980 junta-se à facção armada do ANC na luta contra o regime sul-africano do apartheid. Depois de estudar cinema e televisão no Reino Unido regressa à Africa do Sul, onde realiza “The Foreigner” (1994), o seu primeiro curta-metragem de ficção que aborda a xenofobia no seu próprio país. Seguem-se dois documentários sobre Sarah Baartman, a mulher que ficou conhecida como a Vénus Hotentote, uma história cruel do século XIX sobre racismo e exploração. “A Drink in the Passage” (2002) assinala a consagração de Maseko no FESPACO, onde recebe o prémio especial do júri, mas é com “DRUM” (2004) que recebe o seu prémio máximo, o "Corcel de Ouro", em Yennenga.

SERVIÇO:
Filme: "DRUM", do diretor Zola Maseko
Quando: dia 9 de julho, segunda-feira
Horário: 19:30h
Local: Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 / Leopoldina-MG)
Entrada grátis
Censura: 16 anos

Apoio Cultural:

 Apoio, Realização e Patrocínio:



sábado, 9 de junho de 2012

Programação de filmes e oficinas para o mês de Junho



     Apresentamos a nossa Programação para este mês de Junho/2012:

18/06, segunda-feira, às 19:30: O SOL É PARA TODOS (racismo, preconceito, segregação e injustiça); Censura: maiores de 14 anos

19/06, terça-feira, às 19:30: HISTÓRIAS CRUZADAS (racismo, preconceito, segregação, injustiça); Censura: maiores de 14 anos

20/06, quarta-feira, às 19:30: MISSISSIPI EM CHAMAS (racismo, preconceito, violência, crime); Censura: maiores de 16 anos

21/06, quinta-feira, às 19:30: O SOL TORNARÁ A BRILHAR (segregação, injustiça); Censura: maiores de 14 anos

22/06, sexta-feira, às 19:30: ADIVINHE QUEM VEM PARA O JANTAR (preconceito, segregação); Censura: maiores de 14 anos

23/06, sábado, às 19:30: FAÇA A COISA CERTA (racismo, preconceito, segregação, violência); Censura: maiores de 16 anos

OBSERVAÇÃO: A Coordenação da Casa de Leitura Lya Botelho se reserva o direito de exigir comprovação de idade dos espectadores, mediante documento legal (não se aceita xerox), por obediência às normas da Censura.

      Ainda que essas sessões de vídeo estejam programadas para serem exibidas no período noturno e para um público heterogêneo, elas podem ser agendadas previamente pelas escolas e demais instituições interessadas em exibirem para grupos de alunos, professores, estudantes universitários, membros de grupos, clubes e associações, nos horários que lhes forem mais convenientes.

*Lembramos que nossa sala de vídeos comporta um máximo de 30 pessoas e que essa listagem de filmes só poderá ser exibida na semana de 18 a 23 de junho. Os agendamentos deverão ser feitos por e-mail endereçado a casadeleitura@gmail.com , com a data, o horário e o número de pessoas que estarão presentes.

      Comunicamos, ainda, que no dia 22 de junho, sexta-feira, a Profª Natania Nogueira estará ministrando uma Oficina: “Racismo e Ideologias Políticas nas Histórias em Quadrinhos”, para Professores, Supervisores e Diretores da rede escolar, pública e privada, de Leopoldina.
Essa é uma excelente oportunidade de conhecer e avaliar, através do conhecimento da historiadora e pesquisadora, a forma com que as revistas em quadrinhos e as tirinhas lidam com as questões como a xenofobia, o racismo, preconceito ou reafirmação da superioridade de algum grupo étnico através da História.
      As inscrições gratuitas (20 vagas) para esta Oficina deverão ser feitas através do e-mail casadeleitura@gmail.com

Este Projeto e os eventos que fazem parte de seu escopo são apoiados pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho e patrocinados pela ENERGISA.